ENDEREÇO: (http://novojornal.jor.br/blog/2012/08/18/cidades-historia-de-uma-gata/#more-10868):
GATA DE RUA É SALVA APÓS CAMPANHA FEITA NO FACEBOOK QUE ARRECADOU EM DUAS SEMANAS CERCA DE R$ 1.200 PARA CUSTEAR CIRURGIA DE RISCO.
Texto: RENATO LISBOA
DO NOVO JORNAL
DO NOVO JORNAL
Os dias dela estavam contados.
E os dele, terminados. No caso dela, o problema era caso de morte. No
dele, era apenas de procurar um outro emprego. O encontro dos dois, não
resolveu este segundo problema, mas garantiu a vida dela, graças a uma
campanha feita por meio da internet que arrecadou dinheiro para custeio
de uma cirurgia complicada. Agora, ele (um jornalista) aguarda a
recuperação dela (uma gata de rua).
Há
possibilidade dos dois ficarem juntos. Do contrário, não faltam
candidatos à adoção. Essa é a história de um bicho de rua, mas ao
contrário de muitas outras, tem final feliz. Essa é a história de
Costelinha; salva por Leandro, que teve a ideia de fazer uma campanha no
Facebook e contou com a ajuda de dezenas de pessoas e o apoio de
centenas para salvar uma vida. Talvez a última das sete que a gata
deveria ter.
Todo esse caso começou dia 3
de agosto, quando — após cumprir aviso prévio em uma produtora de vídeo —
o jornalista Leandro Menezes, 29, deixava o local para vir ao NOVO
JORNAL, onde trabalha como diagramador. Ao sair da empresa, ele ficou um
tempo conversando com um amigo. Da calçada, ouviu um miado. O barulho
vinha do interior da produtora, onde há um terraço. Lá, viu uma pequena
gata, aparentando ter quatro meses de idade, muito magra, suja e
respirando com dificuldade.
Leandro tentou, na mesma hora,
dar uma comidinha para a gata. Ele pegou um pouco da comida que era
servida a um cachorro de estimação da produtora. “A gata estava sem
apetite, não demonstrando o menor interesse pela alimentação”, conta o
jornalista. Porém, como ela estava carente, se aproximava da dupla de
amigos.
Como não voltaria ao trabalho
na produtora, Menezes decidiu levar a bichana para casa. Quando chegou à
sua residência, o jornalista ofereceu carne moída à gata (ainda sem
nome); e nada dela querer comer. Ração enlatada para gatos também foi
oferecida. Nada. “Gato nenhum recusa esse tipo de comida”, pensou
Leandro. Foi aí que ele percebeu que havia um problema. A gata ficou em
casa e ele foi para o jornal.
No dia seguinte, o jornalista
levou o animal ao veterinário. Devido à dificuldade na respiração dela, o
médico suspeitou que o bicho sofria de hérnia e pediu um exame de raio
X. Foi então descoberto que a gata tinha três costelas quebradas,
fratura provavelmente causada por maus tratos. É irônico, mas vem daí o
nome “Costelinha”, que é também referência ao cão de estimação do
personagem de desenho animado Doug Funnie (Douglas Yancey Funnie),
Devido à suspeita do diafragma
da gata estar perfurado, surgiu a necessidade de uma cirurgia de alto
risco para corrigir o problema. Segundo conta Leandro, o veterinário
teria comentado que se não passasse pela cirurgia, Costelinha iria viver
mais dois ou três dias apenas. “Ela poderia morrer a qualquer momento”,
observa Menezes.
O preço da cirurgia era de R$
750,00. O jornalista não tinha como arcar com tal despesa. Foi quando
surgiu a ideia de fazer uma campanha pelo Facebook. Ele tinha o
conhecimento de pessoas que abraçam a causa de proteção dos animais e
decidiu fazer o mesmo. Conversando com um amigo pela net, ele recebeu a
indicação de um grupo de Mossoró, chamado Cãoternura.
Leandro então entrou em
contato com a entidade, e enviou a eles os dados de Costelinha,
incluindo o resultado do exame de raio X e o laudo do veterinário.
Mandou também uma foto da gata para ganhar uma arte por cima e o selo do
Cãoternura, para a causa ganhar mais credibilidade.
O cartaz, além de contar a
história de Costelinha, dava as informações da conta bancária de
Leandro, onde os depósitos deveriam ser feitos para bancar a cirurgia da
gata. Alguns minutos depois da publicidade ser postada no Facebook, o
jornalista recebeu a primeira ligação telefônica com uma pessoa querendo
confirmar a história do bicho. As doações começaram a aparecer e os
valores individuais variaram de R$ 5 a R$ 375, valor pago por uma
mulher. Duas semanas e 32 doadores após, ao todo, o pedido de socorro
virtual a Costelinha arrecadou R$ 1.175,00, dinheiro suficiente para
custear tudo o que a gata ferida precisava para ficar bem.
Com o dinheiro, a cirurgia foi
feita. A operação durou aproximadamente duas horas e nela foi
verificado que, no trauma sofrido, o fígado de Costelinha tinha ido
parar em sua caixa torácica, mas o cirurgião colocou o órgão em seu
lugar natural. Todos os passos, desde o pedido até a prestação de contas
do dinheiro, foram divulgados via Facebook. O dinheiro excedente do
valor da cirurgia será usado para pagar as diárias da clínica e
medicamentos. “Ainda vai sobrar algum dinheiro e vou doar para um
próximo protetor”, planeja Leandro.
O jornalista diz que passou
por uma “experiência marcante” e ficou mais sensível à necessidade de
proteger e respeitar os animais abandonados e maltratados. “Admiro as
pessoas que tenham essa bandeira. Comecei a acreditar em boas causas e
pretendo continuar fazendo isso”, conclui ele, que pretende criar o
animal.
Sexta-feira passada, Leandro fez a
segunda visita a Costelinha. A gata passa muito bem e deve ter alta
semana que vem. Caso o jornalista desista da cria, não faltam
pretendentes. Ou seja, Costelinha que era de rua e ia morrer; salvou-se,
tem opções de moradia, pode se considerar uma das gatas mais sortudas
de Natal; e de quebra ainda ficou famosa.


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